A problemática da Obesidade
Mariana Abecasis
Nutricionista
Actualmente muito se fala na obesidade e nas suas consequências para a saúde. É denominada como a epidemia do século XXI e aparece associada a diversas patologias como diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de cancro. Mas afinal o que é obesidade? Para a maioria das pessoas o termo obesidade significa estar “acima do […]

Actualmente muito se fala na obesidade e nas suas consequências para a saúde. É denominada como a epidemia do século XXI e aparece associada a diversas patologias como diabetes, problemas cardiovasculares, hipertensão e certos tipos de cancro.

Mas afinal o que é obesidade?

Para a maioria das pessoas o termo obesidade significa estar “acima do peso ideal” ou ter excesso de peso. Contudo a obesidade mais especificamente refere-se a uma doença que se caracteriza por um excesso de gordura corporal.

Segundo os parâmetros actualmente aceites homens com mais de 25% de gordura corporal e mulheres com mais de 30% apresentam obesidade.

Como é medida a obesidade?

Medir a gordura corporal de forma exacta não é fácil. Contudo há uma série de métodos que permitem estimar a percentagem de gordura do indivíduo. Os métodos usados mais correntemente são a impedância bioeléctrica (conseguido através de balanças e equipamentos específicos) ou a medição das pregas cutâneas, que permitem estimar a gordura corporal e caracterizar o estado dos indivíduos.

Actualmente o método padrão recomendado e universalmente aceite para avaliação do peso corporal em adultos é o IMC (índice de massa corporal). Este índice é calculado através do peso e altura e o valor assim obtido estabelece o diagnóstico da obesidade e caracteriza também os riscos associados a esta doença.

Contudo, apesar de ser o método mais comum, este não deve ser usado individualmente pois não permite a distinção entre excesso de gordura e de massa muscular. Ou seja, um indivíduo pode ser classificado como obeso segundo o seu IMC e no entanto ter uma quantidade de gordura perfeitamente dentro dos parâmetros normais, como acontece com os praticantes de culturismo ou certos desportistas.

Quais as causas da obesidade?

De um modo geral há uma tendência para apresentar os excessos alimentares como principal factor responsável pela obesidade. Contudo apesar de estreitamente relacionada com esta doença, a alimentação per se não é o único factor responsável. Se assim fosse, bastaria uma redução ou um controlo alimentar e as pessoas emagreceriam, solucionando o problema.

Infelizmente isto não acontece na maioria dos casos. Existem, sem dúvida, outros factores, como os genéticos, ambientais (estilo de vida), sociais e psicológicos, que estão igualmente na base deste problema.

Embora em menor escala, a obesidade pode ainda ser causada por algumas doenças, como problemas hormonais ou problemas do foro neurológico ou por certos tipos de medicação.

Contudo é importante ressaltar que, ao contrário do que muitas vezes pensamos, os distúrbios hormonais, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), raramente são apontados como a causa principal da obesidade.

Com maior frequência, é a obesidade que acaba por gerar uma série de distúrbios hormonais, acabando por inverter a ordem dos culpados. Ou seja, o distúrbio hormonal não é o causador, mas sim uma consequência da obesidade.

Então qual o tratamento para a obesidade?

O método para o tratamento depende do nível de obesidade, condição geral de saúde e motivação para perder peso.

O tratamento da obesidade envolve necessariamente uma dieta, a reeducação alimentar, o aumento da actividade física e, eventualmente, o uso de medicação auxiliar. Dependendo da situação de cada paciente, pode ser igualmente importante o tratamento comportamental envolvendo o acompanhamento psicológico.

Nos casos de obesidade resultante de outras doenças, o tratamento deve inicialmente ser dirigido para a causa do distúrbio.

Em alguns casos de obesidade severa, a cirurgia para redução de estômago (bariátrica) pode ser recomendada.

Reeducação Alimentar 

Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, reduzimos a ingestão calórica total e favorecemos a perda de peso. Assim sendo a orientação dietética é imprescindível.

Muitas vezes a palavra dieta tem uma conotação negativa e é associada a sentimentos de fome e de privação. Este é o primeiro preconceito que tem que ser ultrapassado!

De facto, as dietas muito restritas (com reduzido aporte calórico), ou as dietas muito monótonas (somente com alguns alimentos), não são recomendadas uma vez que têm um prazo de sucesso muito limitado e podem levar a distúrbios emocionais. Mas uma dieta equilibrada e adaptada a cada pessoa é fundamental para que se consiga não só uma perda de peso, mas também a manutenção do peso perdido a longo prazo.

O Segredo do Sucesso

A dieta ideal deve ser totalmente personalizada e ter em consideração o sexo, idade, altura, actividade física, estudo fisiológico e patológico, e, principalmente, os hábitos alimentares e preferências do indivíduo.

Para obter bons resultados a organização é fundamental e as mudanças devem ser graduais. O primeiro passo é estabelecer horários certos para as refeições. Comer regularmente é muito importante, não só por ser uma forma de regular o organismo, mas também para prevenir os episódios de fome e de compulsão alimentar.

Aprender a escolher os alimentos e a ler os rótulos correctamente também é fundamental – o objectivo é que gradualmente o indivíduo ganhe autonomia e consiga optar por alimentos menos calóricos (com menos gordura e menos açúcar), mas mais nutritivos (mais ricos em fibras, vitaminas e minerais).

É igualmente importante que se aprenda a reconhecer e a controlar as situações que nos fazem comer mais ou que nos fazem descontrolar a alimentação.

A actividade física apresenta também um papel de grande relevância no tratamento da obesidade, pelos seus benefícios. Para além de aumentar o gasto calórico diário é ainda um precioso auxiliar no controlo do apetite, na melhoria da composição corporal e no aumento da auto-estima e bem-estar.

Importante ressaltar que a prática de exercício físico não implica obrigatoriamente uma ida ao ginásio! Muitas vezes a simples recomendação de caminhadas regulares já acarreta grandes benefícios, e está incluída na denominada “mudança do estilo de vida”.

Para prevenir o fracasso do tratamento é fundamental manter a motivação: devem ser delineados objectivos realistas e alcançáveis progressivamente.

Tão importante como valorizar a perda de peso é valorizar a manutenção do peso perdido e as pequenas alterações dos hábitos anteriores.

Acima de tudo, as mudanças de comportamento e alimentação têm que ser vistas como parte integrante de uma nova forma de vida e não como uma dieta temporária.

É importante lembrar que a obesidade é uma doença crónica e como tal o tratamento é para toda a vida. Um “tratamento” em que não dependemos de uma medicação específica, mas sim de uma correta alimentação e de um estilo de vida saudável!

Simples… mas nem sempre fácil. Mas que está ao alcance de todos e podemos ser nós próprios os responsáveis pelo sucesso do tratamento!